Amamentar é possível

 

Renata Gonçalves Ribeiro, pediatra e neonatologista, coordenadora da UTI neonatal do Hospital Dona Helena

A Semana Mundial da Amamentação traz à tona um tema que deveria fazer parte da rotina de todos nós, mamíferos que somos. Mas o ato de amamentar, não mais instintivo entre as mulheres, deve ser ensinado e estimulado. O tema de 2019, “Capacite os pais e permita a amamentação, agora e no futuro!”, mostra a necessidade de orientação sobre a amamentação para que não venhamos a perder o padrão-ouro da alimentação infantil que é o leite materno.

O leite materno é a uma das grandes heranças que a mãe pode deixar para o seu filho, alimento democrático e poderoso – administrado a ricos e pobres, não distingue raças, línguas e povos e é capaz de diminuir a mortalidade infantil ao redor do mundo. Esse alimento vivo é rico em nutrientes para cada etapa da vida do bebê, rico em anticorpos responsáveis pela proteção contra doenças e estímulo ao desenvolvimento do sistema imunológico, rico em substâncias que promovem o melhor desenvolvimento neurológico, auditivo, oftalmológico e cognitivo para a criança. A criança amamentada exclusivamente ao seio até 6 meses tem menos chance de desenvolver câncer e diabetes, podendo transmitir essa vantagem por até duas gerações.

E por quê, muitas vezes, temos dificuldade em convencer as famílias? Por que algumas dificuldades podem levar ao desmame precoce? Por quê, querendo sempre o melhor para nossos filhos, não valorizamos incondicionalmente a amamentação?

O ato de amamentar não depende somente de produzir leite. Tem seu pilar no “querer muito amamentar” e desenvolver o que chamamos de maternagem, ou seja, dedicação ao contato físico e emocional que o bebê necessita em tenra idade para que possa fazer uma transição tranquila e segura do ambiente intrauterino para o extrauterino.

Maternagem é tempo, é contato físico, é colo e carinho. Desenvolver maternagem e amamentação consiste em entender que o leite muda, que amadurece. Entender que o bebê, nos seus primeiros dias necessita de colostro, alimento rico em anticorpos, em doses homeopáticas, gotas de vida e toneladas de carinho e paciência para entender o livre demanda e sua evolução para a lactação madura.

Encorajar e orientar mães e famílias sobre amamentação é dever de todos. Só assim o aleitamento materno cumprirá o seu papel na construção de uma geração mais saudável física e emocionalmente.



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