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Cultura é Dez – AM Joinville

11 de abril de 2017

 

Cacá Martan realiza entrevista com Caio Tavares, coordenador do Comitê de Qualidade e Segurança do Hospital Dona Helena, no estúdio. Cacá comenta que o Hospital Dona Helena recentemente comemorou 100 anos.

Recebeu o livro maravilhoso. Agora teve outra boa notícia, que conquistou a reacreditação internacional. Deve orgulhar os joinvilenses de terem o hospital, em Santa Catarina é a instituição única com o selo.

E tem um bocado de hospitais no estado. Cacá comenta que Caio deve ter uma atividade bem ampla no hospital. Coordena Comitê de Qualidade e Segurança. Ele pede que Caio fale sobre. Caio conta que está como coordenador do Comitê do Hospital Dona Helena há seis anos. O Comitê se iniciou com o processo da busca pela acreditação. Quando o hospital tomou a decisão, por volta de 2010, começaram o processo de acreditação pela JCI. Na época se chamava CQ, Comitê de Qualidade. Hoje evoluiu, entraram novas pessoa e a palavra Segurança entrou muito forte no contexto. Nos seis anos, há cada três anos, acontece uma reacreditação para manter o tônus do hospital. Em março de 2014 foram acreditados e, agora em março de 2017, foram reacreditados pela mesma Associação. Em três anos, em março de 2020, espera que o Hospital Dona Helena seja novamente reacreditado. Cacá destaca que não envolve só a diretoria do hospital, ou só um departamento, envolve todos os grupos de funcionários, desde os de função mais simples, até o mais elevado, para ter um procedimento igual. Caio alega que o processo de qualidade, quando levado a sério e ao extremo, um processo de tal envergadura, um processo internacional pela JCI, envolve todo o hospital, da alta diretoria à pessoa que está no operacional. É impossível ter um selo de acreditação do JCI, internacional. É a maior e mais certificadora de qualidade do mundo. É responsável pela acreditação de hospitais como Hospital Albert Einstein, Hospital Sírio-Libanês, Moinho de Ventos, em Porto Alegre, Oswaldo Cruz em São Paulo, vários hospitais dos Estados Unidos e do mundo. O processo é muito trabalhoso, é voluntario. A pessoa se submete é instituição, quando busca uma acreditação, a todo um manual já determinado. Com vários padrões, elementos, mensurações, 14 capítulos, seis metas internacionais, 1.163 elementos de mensuração. Tem que estar conforme tudo, existem vários critérios para que não seja reacreditado. É um processo que envolve a alta direção. A palavra qualidade é antiga. Quando se pensa em qualidade na área da Saúde, há dois mil anos antes de Cristo, o imperador da Babilônia já grafou no Código de Hamurabi. A mensagem era “não causar mal a n ninguém”. Depois, em 400 anos antes de Cristo, Hipócrates também já dizia que “primeiro não causar danos”. É a qualidade na área da Saúde, que já vem de muito tempo. Qualidade é detalhe e um dos detalhes é envolver a alta direção.

No Hospital Dona Helena a alta direção está envolvida, sempre tomou frente, bancou o processo. Nos momentos mais difíceis esteve do lado dos funcionários, dando suporte, porque exige muito investimento. Cacá Martan alega que é muito mais fácil o funcionário se engajar em uma campanha porque, quando olha para cima e vê que o diretor também faz, pensa em fazer também. Às vezes a coisa não dá certo porque a diretoria acha que o funcionário que tem que fazer. Na realidade o exemplo do superior que é copiado pelo funcionário que se anima no contexto de todos estarem na mesma barca. Caio alega que tem que ser a referência, inspirar as pessoas. Qualidade começa desta forma. Um dos princípios da qualidade forte também é a liderança. É um dos pilares da qualidade, tem que ter uma liderança forte para influenciar pessoas. Cacá comenta que, em Santa Catarina, não tem mais nenhum hospital com a citada acreditação. Caio confirma que o Hospital Dona Helena é o único hospital em Santa Catarina acreditado pela Joint Commission International, há seis anos. Existem outras instituições acreditadas por outros organismos, mas pela JCI o Hospital Dona Helena é o único. É a maior e mais antiga certificadora da mundo, é norte-americana. Os hospitais estratégicos do governo são todos acreditados pela JCI. Cacá Martan questiona se foi mais difícil conquistar a acreditação ou a reacreditação. Caio comenta que pode dizer com propriedade porque esteve nas duas, à frente do processo. Na acreditação era tudo novo, foi uma luta,  nvolveram muitas pessoas, mas a equipe era menor. Contudo, vão aprendendo com os erros e experiências. A reacreditação foi mais difícil, porque o processo de acreditação, não só no Hospital Dona Helena, é a própria JCI trata. Após ser acreditada, é normal que haja um certo relaxamento na instituição, porque o trabalho é muito cansativo. É dia e noite, trabalham com detalhes o tempo todo. Há um certo relaxamento. Também passaram pelo processo. Foram acreditados em março de 2014 e, logo depois, veia nova versão do manual, a quinta edição.

Tiveram que readaptar toda a instituição para a nova versão do manual.

Exigiu um trabalho muito grande. Mas o Hospital Dona Helena conseguiu fazer algo que poucas instituições conseguem. Caio está fazendo NBA em São Paulo, justamente na área e percebe que o Hospital Dona Helena conseguiu envolver muitas pessoas. Hoje o processo está muito disseminado. Foi criado um Comitê de Qualidade e Segurança, bastante austero, firme, é o núcleo duro da instituição. É o processo estratégico, tático e operacional. Conseguem reunir direção clínica, médica, gerente de enfermagem, CCIH, farmácia, gerência de risco. Um dos presidentes da “Abej” também faz parte do comitê. Se reúnem todas às terças-feiras, das 14h00 às 15h30, onde discutem os detalhes. Para o comitê vem todos os detalhes, é de onde parte todo o direcionamento do trabalho. Também aproveitam para engrossar o caldo, ter mais força, conseguiram criar, para cada capítulo do manual, elegeram um tutor, que tem a função de tutorar as mudanças. Junto, uma equipe de mais duas ou três pessoas. O CQS fica por trás de tudo. O hospital também tem as consultorias permanentes. Tem A Nexus, que dá suporte mensal e o próprio CBA, que tem uma educadora que, a cada dois meses, fica dois dias no hospital. Caminham dentro do hospital, discutem, realinham processos, reveem, tentando otimizar. Cacá Martan comenta que, há 15 dias, esteve visitando um amigo na parte nova do hospital, que não é tão nova, que entra pelo Centro Clinico. É uma grandiosidade. Tem a parte anterior.

Ele questiona como controlam o que acontece no hospital, 24 horas por dias. Caio comenta que o processo é grandioso de mais, até porque os números são grandiosos na área da Saúde. O Hospital Dona Helena tem mais de 43 mil metros quadrados de área construída. É uma coisa grande. Para cuidar de tudo, a parte de manutenção, o manual do JCI tem um capítulo que chama “FMS”, que é a manutenção das instalações. É olhar os detalhes, telhado, a estrutura física, tudo é olhado de forma que não ofereça nenhum risco, nem ao paciente, nem aos funcionários ou à qualquer p essoa que esteja no local. Os avaliadores olham tudo, para-raios, telhado, condições do telhado, caixa d’água, tubulação, portas, tem que atender todas as exigências da ANVISA. O capítulo trata de tudo, o que dá certa tranquilidade. Junto aos 43 mil metros quadrados, os números de atendimentos são grandes, o hospital, em média, no ano que passou, fizera mais de 15 mil cirurgias. Atendimento de emergência tem de 16 mil a 20 mil atendimentos por mês. São muitas as pessoas que passam no hospital. Exames nos laboratórios, no de análise clinica, chegam mais de 600 mil exames anualmente. Uma média de internações de 16 mil. Os números são muito grandes. Tentam envolver cerca de mil funcionários. O número preciso não sabe, mas é muito próximo. Tem o corpo clínico com cerca de 742 médicos, que tem que estar alinhados ao processo. Tem o corpo clínico efetivo, com 240 médicos. Os que estão mais no dia a dia do hospital, mas todos tem que estar alinhados com o processo. Cacá questiona quantos leitos o Hospital Dona Helena tem. No momento em que estão conversando tem gente internada.

Normalmente um hospital está lotado. Caio afirma que os leitos contingenciados são cerca de 206 leitos. Tem sala cirúrgica, com seis salas, que funcionam 24 horas por dia. Tem a sala de hemodinâmica funcionando. Tem a sala de Centro Cirúrgico Ambulatorial. Tem o Centro Obstétrico, com duas salas cirúrgicas preparadas e mais duas salas para partos normais. Ao todo são 206 leitos que o hospital disponibiliza para a comunidade. Cacá Martan comenta que, sobre a acreditação, ele fez algumas perguntas que vieram à cabeça, como leigo inclusive, mas pode ter outro detalhe importante para destacar. Caio declara que o processo de acreditação é voluntário e tem duas palavras-chaves, o tempo todo tem que ter o foco: qualidade e segurança, que são baseadas em um manual que não é rico em detalhes. São 14 capítulos, seis metas internacionais, porque o mundo todo cuida. Precisa garantir a identificação correta de todos os pacientes. Tem que ter uma cirurgia segura, tem que controlar o processo geral, visitas, quem está dentro circulando. O hospital tem que ter cuidado com tudo, tem que estar preparado. Fazem simulados contra incêndio. “Imagina um incêndio dentro de um hospital”. Na hora do pânico, como remover as pessoas. O hospital faz simulados realísticos, a brigada atua o tempo inteiro. Fizeram simulado de múltiplas vítimas, muito elogiado, fizeram na Blumenau, foram contratadas atrizes e maquiadores, para que se torna-se bem realística, para como atender múltiplas vítimas de uma vez só, tem que fazer a classificação de prioridade de atendimento. Fizeram simulação de rapto de bebê, porque quantas vezes se viu, não é novidade, que bebês são raptados. No Hospital Dona Helena não, no Hospital Dona Helena fazem até simulado, tudo é controlado. As portas, para entrar na maternidade, além de portas, tem câmeras, crachá, “codin”, se não está autorizado não tem passagem. Não entra. O processo é rico em detalhes. Cacá Martan agradece a presença manda a todos os funcionários o cumprimento pela conquista.

Ele espera, em 2020, estar entrevistando Caio novamente por mais uma acreditação. Caio agradece a oportunidade e a todos os funcionários do Hospital Dona Helena. Para que ele possa estar no programa, os 999 estão trabalhando, produzindo, cuidando para garantir a qualidade e a segurança da assistência prestada.

 

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