Esclerose Múltipla: conheça a doença que acomete mais de 2 milhões de pessoas no mundo

30 de agosto é o Dia Nacional de Conscientização sobre a Esclerose Múltipla, doença que pode atingir mais de 3 milhões de pessoas no mundo. Um atlas publicado em 2013, pela Associação Brasileira da Esclerose Múltipla (Abem), mostra que a doença cresceu, entre 2008 e 2013, de 2,1 milhões de casos para 2,3 milhões. E não há um “sinal de alerta”, no que se refere a sintomas que a identifiquem imediatamente. Essa é a doença desmielininizante (que causa perda de melina no cérebro) mais comum e a principal causa da incapacidade em adultos jovens, em alguns países. Algumas pessoas podem conviver com a esclerose múltipla a vida toda, com pequenas incapacidades, enquanto a maioria – em torno de 60% – pode se tornar incapaz de andar sem assistência cerca de 20 anos após o início da doença. Isso traz implicações importantes para a qualidade de vida dos pacientes, seus familiares e amigos, e, também, altos custos repassados para a sociedade, se não for tratada de forma adequada.

Mas o que é, afinal, a esclerose múltipla? “A EM, como se convencionou chamar, é uma doença neurológica crônica e autoimune — as células de defesa do próprio paciente atacam o seu sistema nervoso central provocando lesões no cérebro e na medula”, explica o neurologista Flávio Ribas, do Hospital Dona Helena, sublinhando que já houve muitos avanços no tratamento, que ajudam a oferecer maior qualidade de vida aos pacientes, dado que se trata de uma doença progressiva, sem cura. E não há uma única causa específica, mas alguns fatores associados foram identificados como agravantes na incidência da doença: falta de vitamina D, obesidade na infância e adolescência e tabagismo, por exemplo, segundo a Abem.

A EM é mais frequente em pessoas jovens, principalmente mulheres de 20 a 40 anos. “Mas não é uma doença mental, não é uma doença contagiosa e, infelizmente, ainda não é suscetível de prevenção”, acrescenta o médico. E pode causar os mais diversos sintomas, entre eles, a fadiga intensa, perda da visão, tontura, depressão, fraqueza muscular, alteração do equilíbrio e da coordenação motora, dores articulares e disfunção intestinal e da bexiga. “Os sintomas e sua gravidade variam de pessoa para pessoa. Algumas podem permanecer assintomáticas por quase toda vida e outras, apresentar sequelas graves desde o início da enfermidade”, esclarece Flávio.

A doença é causada pela perda da mielina (substância com a função de fazer com que o impulso nervoso percorra os neurônios), o que leva à interferência na transmissão dos impulsos elétricos cerebrais. Esse processo é chamado de desmielinização. A mielina está presente em todo o sistema nervoso central e, por isso, qualquer área do cérebro pode ser acometida, causando diferentes sintomas, conforme a região afetada. Segundo o médico do Dona Helena, os pacientes podem se recuperar total ou parcialmente dos ataques individuais de desmielinização. Isso define o curso clássico da doença, ou seja, os surtos e remissões (períodos em que a doença se manifesta, intercalados com períodos sem manifestação).

A esclerose múltipla está presente no mundo todo – mas tem uma incidência maior na América do Norte e Europa, segundo o Atlas da Abem, com mais de 100 casos por 100 mil habitantes. Na América do Sul, calculam-se entre 5 e 20 casos a cada 100 mil habitantes. A menor incidência ainda é em regiões da Ásia e África – com 2,1 ocorrências por 100 mil habitantes.

“Em caso de suspeita de esclerose múltipla, um médico neurologista deve ser procurado de imediato, pois é o profissional mais adequado para investigar e tratar a doença”, alerta o médico, explicando, ainda, que o diagnóstico é clínico com auxílio de exames de laboratório e de imagem. “Alguns casos podem precisar de acompanhamento e reavaliações para definir se a pessoa tem ou não esclerose múltipla, pois há uma série de doenças inflamatórias e infecciosas que podem ter sintomas semelhantes”, completa o neurologista.



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