A importância do pré-natal para o bebê

Recorte 3

A preocupação com a saúde de seu futuro bebê deve acontecer mesmo antes de você engravidar. É sabido que a boa saúde materna contribui para uma gestação tranquila e saudável. Uma das primeiras recomendações é procurar um obstetra para um acompanhamento pré-gestacional pelo menos três meses antes de engravidar. Hoje, já se reconhece como importante a reposição de ácido fólico na futura mamãe para a prevenção de malformações do sistema nervoso do feto. O bom estado nutricional, a pesquisa de infecções e a mudança de hábitos como o tabagismo devem ser encorajadas. A gravidez pode ser divida em três estágios de aproximadamente três trimestres.

Primeiro trimestre

O primeiro trimestre é uma fase crítica para o embrião: todos os seus órgãos estão se formando e qualquer efeito adverso materno, principalmente as infecções, pode alterar a boa formação do bebê. Por isso, o pré-natal deve ser iniciado bem no princípio da gravidez. O obstetra solicitará exames de laboratório, pesquisando infecções como hepatite B, HIV, toxoplasmose, sífilis, rubéola e infecção urinária (comum na gestante) e ultrassonografia. Muitas dessas infecções são passíveis de tratamento, protegendo o seu bebê de intercorrências, geralmente graves. A toxoplasmose é uma das infecções que, desde que adequadamente tratada, pode evitar danos ao sistema nervoso e olhos do feto. Já a pesquisa de HIV na gestação é obrigatória e, quando positiva, indica tratamento com medicações antirretrovirais levando a uma proteção fetal já bem conhecida.

Os exames são periodicamente repetidos na gestação. O controle da pressão arterial deve ser sempre realizado. Doença hipertensiva específica da gravidez é uma condição que, se não controlada, pode levar a acometimento severo da saúde da mãe e do feto. É uma causa importante de restrição do crescimento fetal, de nascimento prematuro, além de colocar em risco a saúde da mãe. A eclampsia é o estágio mais grave da hipertensão da gestação, levando à convulsão materna, que indica a interrupção imediata da gravidez.

A glicemia materna (pesquisa de açúcar no sangue) e outros exames específicos são determinados durante a gestação e detectam o diabetes gestacional. Essa doença traz consequências para a mãe e o bebê, podendo alterar o crescimento fetal e levar ao óbito intrauterino e a malformações quando não bem controlada. Durante toda a gestação, a manutenção de uma atividade física regular (quando não contraindicada) e uma alimentação saudável ajudarão a prevenir o diabetes gestacional.

Segundo trimestre

O segundo trimestre é a fase mais tranquila. Ao completar 20 semanas, o bebê costuma pesar 500 gramas e já está com todos os seus órgãos desenvolvidos, mas ainda não maduros. A barriga vai aparecer e os movimentos fetais já são percebidos. É a fase de curtir muito o seu bebê. O papel da mãe é essencial para a formação de um bom desenvolvimento psíquico do filho. O vínculo criado vai além do cordão umbilical. O feto já demonstra capacidade de audição a partir da sexta semana da gravidez, reconhecendo a voz dos pais e os batimentos cardíacos da mãe.

A criança é também capaz de acompanhar todas as emoções que a cercam. O bem-estar físico e mental da gestante pode garantir um bom desenvolvimento fetal, evitando o nascimento de bebês com baixo peso, hiperatividade, distúrbios alimentares, distúrbios do sono e futuros distúrbios psíquicos. A presença do pai durante o pré-natal, no nascimento e no acompanhamento posterior da criança, também influencia positivamente.

Já é possível conhecer o sexo do bebê pela ultrassonografia. Mas é melhor aguardar a ultrassonografia morfológica, na metade da gestação, entre 18 e 20 semanas. Todos os órgãos do bebê são examinados e o exame traz muita informação sobre a saúde do feto.

Terceiro trimestre

O terceiro trimestre é fase de rápido crescimento fetal: a barriga cresce muito e se torna o centro das atenções. Nesse período, a gestante pode ter alguma dificuldade para dormir e para respirar. Por isso, convém reduzir o seu ritmo e descansar com mais frequência, o que vai ficar mais difícil depois do nascimento.

A conferência das vacinas que a mãe deve receber no pré-natal é importante, entre elas, a vacina antitetânica, a vacina contra a gripe e a contra a coqueluche, todas com potencial efeito de proteger o recém-nascido. Todas as medicações que a mãe ingere no pré-natal devem ser relatadas ao pediatra no momento do nascimento. Muitas medicações podem interferir com a adaptação do bebê do meio extrauterino e estas reações devem ser acompanhadas.

Os exames de pré-natal devem ser repetidos nesta fase, novamente pesquisando infecções que ainda podem ser tratadas ou que serão importantes para o acompanhamento pediátrico. Sorologias para toxoplasmose, sífilis, HIV, hepatite B são novamente solicitadas e a pesquisa do estreptococo do grupo B deve ser feita por volta de 35 semanas de gravidez. Essa bactéria, quando presente próxima ao colo uterino ou região perianal, pode elevar a incidência de infecção generalizada (sepse) e meningite no período neonatal, quando a gestante não é adequadamente conduzida no momento do parto.

As consultas de pré-natal devem ficar mais frequentes no final da gestação, garantindo o bem-estar materno e fetal, observando o adequado peso materno, crescimento do útero e controle da pressão arterial e do diabetes. A ultrassonografia nessa fase avalia o crescimento do feto e a função da placenta, responsável pela oxigenação e nutrição do feto durante toda a gestação.

Já é o momento de conversar com o obstetra a respeito do parto. Sabe-se que o Brasil tem elevada incidência de cesarianas, mas o parto normal traz muitos benefícios para o bebê. Entre eles, o verdadeiro amadurecimento do feto, que quando pronto faz desencadear o trabalho de parto. Existe uma menor incidência de desconforto respiratório nos bebês que nascem de parto normal, pois a maioria do líquido amniótico contido nos pulmões do feto é eliminada durante o parto. Na cesariana, o líquido pode não ser totalmente eliminado e o bebê pode ter mais dificuldade para adaptar a sua respiração ao nascimento.

O parto normal também favorece a descida mais rápida do colostro e o vínculo entre a mãe e o seu bebê é estabelecido mais rapidamente. A mãe pode cuidar do seu bebê logo após o parto, pois a recuperação do parto é fantástica. A consulta com o pediatra no último trimestre também pode esclarecer muitas dúvidas e criar um contato prévio com aquele que irá cuidar do seu filho por uma vida. É importante levar ao pediatra todos os exames realizados no pré-natal.

A mãe adotiva também deve estar bem atenta e procurar conhecer o pré-natal do seu bebê adotivo. Todos os exames são importantes para o adequado acompanhamento do bebê. Portanto, o acompanhamento pré-natal adequado é necessário e faz toda a diferença na saúde da mãe e no futuro do seu bebê.

 

Renata Gonçalves, pediatra e coordenadora da UTI Neonatal do Hospital Dona Helena

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