Neurologista enfatiza importância do diagnóstico precoce para o tratamento da esclerose múltipla

O Dia Nacional de Conscientização sobre Esclerose Múltipla, que transcorre em 30 de agosto, tem por objetivo chamar atenção para os pacientes que sofrem dessa doença, as dificuldades que vivem no dia a dia e a importância do diagnóstico precoce. Segundo dados da Federação Internacional de Esclerose Múltipla (MSIF), de 2013, em torno de 40 mil brasileiros sofrem dessa doença, e mais de 2 milhões no mundo, sendo mais comum nos países distantes da linha do Equador.

Segundo o neurologista Flávio Diniz Ribas, que integra o corpo clínico do Hospital Dona Helena, não há consenso sobre o gatilho que desencadeia o início dessa enfermidade, que acomete mais intensamente jovens entre 20 até 40 anos, de pele branca, especialmente mulheres, embora também se verifiquem casos em ambos os sexos e todas as idades. Ainda não existe cura para esclerose múltipla: a origem dessa condição médica pode estar relacionada a fatores genéticos e ambientais ou até mesmo à infecção por algum vírus, mas nada definitivo.

Esclerose múltipla é uma doença inflamatória e de caráter autoimune, ou seja, é causada pelo próprio sistema de defesa do corpo humano. Flávio Ribas esclarece que a condição ataca e deteriora a bainha de mielina, que auxilia a transmissão e condução dos impulsos nervosos pelos neurônios. Pode acometer qualquer área do sistema nervoso central, criando uma gama diversificada de sintomas, com graus mais leves ou severos, que variam desde visão dupla e fadiga até depressão. Não é uma doença mental, nem contagiosa, e o tratamento consiste em amenizar as consequências e tornar os surtos menos recorrentes e mais suaves, visando aumentar a qualidade de vida do paciente, reduzir a dor e evitar que afetem as tarefas cotidianas. O tratamento pode ser feito com medicações injetáveis ou orais, tanto em casa quanto no hospital, a depender do estágio da doença do paciente, conforme o neurologista.

Existem outras datas em que a esclerose múltipla é lembrada. O Dia Mundial da Esclerose Múltipla, 30 de maio, é uma iniciativa da MSIF. Em 2019, a entidade buscou debater os sintomas de mais difícil detecção da doença, com uma campanha chamada “Meu EM Invisível”. Como alertado pela iniciativa da federação, alguns portadores da doença permanecem sem apresentar sintomas severos durante longo tempo, mas é importante que a esclerose seja diagnosticada e acompanhada para impedir que ataque o paciente com um surto grave ou deteriore a massa cinzenta do cérebro e deixe sequelas. “O diagnóstico é feito com base no histórico clínico do paciente, exame físico e exames complementares, como a ressonância do encéfalo ou da medula”, diz o neurologista, reiterando que o diagnóstico é difícil. O médico explica que o exame de sangue ajuda a descartar outras possíveis doenças.

Há avanços no tratamento da esclerose múltipla, com novos métodos de terapia e medicamentos implementados com certo sucesso. O laboratório Roche, da Suíça, divulgou que parte de seu crescimento de 7% em vendas globais em 2018 foi impulsionada pelos medicamentos para esclerose múltipla. “Estar ciente dos sintomas, da forma como a doença aparece e progride, e todos esses outros conhecimentos, tornam o paciente mais apto a suspeitar da esclerose e procurar um neurologista para estabelecer um diagnóstico e receber o tratamento adequado”, alerta Flávio Ribas.



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