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Estar bem para acolher os outros

Ao longo de um ano de pandemia, Kethe Oliveira, psicóloga clínica do Dona Helena, percebeu o impacto emocional provocado pela Covid-19 nos profissionais de saúde que estão no atendimento direto aos pacientes com a doença. “Quando começamos a ter pacientes internados no hospital, a equipe já passou a demonstrar sintomas relacionados à questão emocional. O maior impacto se deu com o fechamento dos ambulatórios e a nossa primeira morte de paciente com Covid-19. Isso mexeu de forma considerável, principalmente com as equipes da UTI”, recorda-se.

Quando o número de casos baixou, ela notou o surgimento de um lugar para a quietude: “Fomos nos acostumando com a doença, a como lidar com ela.” Com o novo crescimento do número de pacientes hospitalizados, a psicóloga observou uma reação mais pontual, não coletiva. “Alguns profissionais voltaram a apresentar sintomas ansiosos e medo, relacionado à questão de perda de pessoas próximas ou do risco de contaminar um ente querido”, ressalta.

Junto ao setor de psicologia, ela promoveu, desde o começo da pandemia, um serviço de acolhimento e escuta para essas pessoas, com o objetivo de validar seus sentimentos. “Criamos um programa de cuidado com a equipe, formado por profissionais como psicólogos, assistente social e capelã, que diariamente estão envolvidos com os colaboradores, de forma remota ou presencial, com visitas nos postos de trabalho”, detalha. Nessa linha, de humanização do cuidado, também foram implantadas as visitas virtuais por videochamadas, para comunicação entre pacientes e seus familiares.

Kethe, que trabalha acolhendo o próximo, também sentiu os efeitos de lidar com uma nova doença em sua vida pessoal. “No início, quando se percebia um número crescente de mortes, eu cheguei a fazer uma carta com solicitações caso viesse a adoecer e até mesmo morrer. Sei que isso gerou um pouco de desconforto com alguns dos meus familiares”, relata. No começo, ela e seu esposo ficaram sem contato presencial com o restante da família, utilizando somente os recursos tecnológicos para reuniões. “Depois, de forma mais gradativa, sem aglomeração, começamos a fazer algum tipo de visitação para nossos pais”, conta. Em datas comemorativas, como aniversários, a celebração continua remota. “Cada um na sua casa elabora um cardápio semelhante, canta ‘parabéns’ de longe. Somos uma família que gosta muito de se reunir. Isso trouxe um grande benefício não só para mim, mas para todos os meus familiares.”

Para manter o seu equilíbrio emocional e saúde física, a psicóloga permaneceu fazendo seu processo de análise terapêutica. “Utilizei os meus recursos de crenças, que também me auxiliam bastante, e a prática da atividade física e mental para lidar com todo esse contexto”, informa. Também costuma fazer atividades que fujam do tema da pandemia, como leituras diferenciadas. “Cuidar de si, cuidar do outro e buscar o espírito da coletividade podem ser estratégias de enfrentamento para esse momento de crise, que nos possibilitam manter o equilíbrio emocional diante da doença, que trouxe sentimentos diversos, mas que também sinaliza meios de olhar para o movimento da vida de forma diferente”, frisa a profissional.


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    Psicóloga clínica


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