Não existe manual de instruções para ser mãe

 

Daniela Tamanini Benatti, psicóloga do Ambulatório de Psicologia do Centro Clínico Dona Helena

A gravidez é um dos momentos mais marcantes na vida da mulher e de toda a família. Como se sabe, a mulher grávida apresenta mudanças corporais e hormonais, podendo se fragilizar com a interferência de diversos fatores no equilíbrio pessoal. Daí que necessita de observação diferenciada, para levar adiante esse processo com tranquilidade e plenitude, para que possa olhar para si mesma e experimentar essa fase com intensidade e qualidade. Porém, nem sempre é o que acontece. Muitas vezes, as mulheres acabam entrando nesse período sem tomar os devidos cuidados com a saúde mental. Sem o mínimo de preparação.

Não existe manual de instruções para ser mãe. Claro que se pode contar com o auxílio de profissionais, buscar recursos que auxiliem no empoderamento e na construção desse papel, mas sempre considerando que a realidade é individual, cada mulher e cada relação com a criança é única, nem todas as histórias são iguais. E frequentemente as mulheres vêm com um pensamento idealizado de maternidade, do que é que ser mãe. Por isso, as frustrações, a tristeza, as autocobranças.

É preciso compreender que a maternidade se trata de uma construção: não se nasce mãe, é preciso ir aprendendo com as experiências.  Importante a procura por apoio psicológico, caso a mulher tenha dúvidas, apresente crenças desadaptativas, esteja fragilizada e em sofrimento psíquico.

Os profissionais da clínica do ambulatório do Hospital Dona Helena estão disponíveis para auxiliar as mulheres nesse período e ajudá-las na construção de suas identidades como mães. Um novo papel foi inserido em suas vidas, mas é preciso continuar a dar atenção aos aspectos individuais, ao emocional, ao autocuidado, a projetos, sonhos e desejos, realização de atividades prazerosas.

Com a necessidade crescente de se engajar na vida financeira familiar, acabaram vindo muitas cobranças para a mulher junto a novas responsabilidades e obrigações. Ela acaba exigindo de si coisas que não necessariamente precisaria e que não se equilibram com a realidade. Mas existem várias formas para administrar isso, harmonizando a maternidade com reorganização da rotina e engajamento em outras atividades. É importante, nesse processo, o envolvimento do pai do bebê, companheiro, família, no auxílio à construção da identidade da mãe, com suporte, acolhimento e atenção, dando o espaço e tempo adequado para a mãe.

Desempenhar uma maternidade de forma adequada não quer dizer deixar de lado o seu “eu”, as expectativas como pessoa, desejos. Muitas vezes, as mulheres têm a ideia de que precisam se doar totalmente para a maternidade, ao ponto de se esquecer de si. A mãe terá que oferecer cuidado, amor e atenção à criança, mas não pode esquecer que ela também é um ser humano, que também é uma pessoa que precisa de cuidado e amor, tem necessidades próprias, tem o direito de desempenhar um papel no mercado de trabalho, pode ter um momento de lazer para si ou com o companheiro.

Isso não significa negligenciar a maternidade, mas considerar que cada papel tem uma necessidade muito própria e que tem um tempo que pode ser despendido para esses papéis com qualidade.



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