“O Dona Helena é um patrimônio de Santa Catarina”

Centro de referência em saúde, o Hospital Dona Helena, de Joinville, completa 105 anos de fundação no dia 12 de novembro.

Idealizado por um grupo de senhoras evangélicas, iniciativa da pioneira Helena Trinks Lepper, que deu nome à instituição, nasce em 1916, como ancionato e jardim de infância, logo se tornando hospital.

Nos últimos anos, vem ampliando seu leque de serviços e fortalecendo a atuação em novas especialidades. No ano passado, diante da pandemia, consolidou o Onco Center, serviço de oncologia.

Também criou ambulatórios de otorrinolaringologia, cabeça e pescoço e fisiatria, este dedicado a tratar de sequelas do coronavírus.

Com acreditação internacional por uma das mais rigorosas certificadoras do mundo, a Joint Comission International (JCI), o hospital é destaque em qualidade de atendimento, índice NPS de 70%, e se consagrou como Instituição da Década no Prêmio Excelência da Saúde 2020. Também é um dos quatro hospitais de SC que figuraram entre os 100 melhores do Brasil, de acordo com a pesquisa internacional Words Best Hospitals 2021.

Nesta entrevista, o diretor-geral, José Tadeu Chechi, afirma que a posição do hospital, hoje, deve muito ao trabalho das gerações anteriores. Também anuncia a ampliação de algumas áreas, como uma unidade oncológica com acesso exclusivo para o paciente, e a estruturação de outras, como a área de internação psiquiátrica, além da expectativa para o credenciamento em transplantes de medula óssea. Confira abaixo:

Como você descreve o Hospital Dona Helena, hoje, ao completar 105 anos, e que papel essa trajetória exerce no momento de traçar perspectivas e olhar para frente?


Nosso hospital é uma instituição centenária, patrimônio de Joinville, e tem um diferencial construído ao longo de 105 anos. É, também, patrimônio de Santa Catarina. O compromisso, hoje, é o de qualificar o hospital para um novo ciclo, os próximos 95 anos, para permitir que essa estrutura toda continue focada na missão de proporcionar o melhor atendimento com a maior segurança possível. Toda a área da saúde passa por enormes desafios, no sentido de manter a eficiência e entregar qualidade para a população. Ao longo dos últimos cinco anos, principalmente, o Dona Helena se preparou para uma maior competitividade e construiu uma série de processos novos, visando atender essas dificuldades que o mercado está impondo. Isso também ajudou a enfrentar a pandemia de uma maneira mais efetiva. As dificuldades teriam sido muito maiores se não tivéssemos iniciado, há cinco anos, o processo de reestruturação organizacional.

O limiar foi justamente o centenário? A partir dali, buscou-se olhar para frente e vislumbrar o perfil de hospital que se desejava?


Sabíamos que precisaríamos nos adaptar. Joinville é uma cidade com população em crescimento, e mudanças no cenário econômico passaram a exigir que entregássemos o serviço com custo mais acessível. Nossa instituição é 100% independente. Isso exigiu que nos adaptássemos às exigências do mercado e, ao mesmo tempo, ampliássemos a estrutura do hospital. Cito os exemplos do Cartão Clube + Saúde Dona Helena, que oferece valores diferenciados para atendimento, além da ampliação das especialidades atendidas no Centro Clínico Dona Helena, como a psiquiatria e a oncologia, nas quais temos investido para que se tornem referência. Ao longo destes 105 anos, o hospital construiu uma marca sólida. O legado das pessoas que nos antecederam contribui para fortalecer nossa posição. Nossa missão, hoje, é preparar o hospital para um cenário cada vez mais competitivo, observando que a área da saúde está se polarizando em poucas operadoras. Temos um nicho importante para ocupar e manter nossa posição nos próximos cinco, 10 ou 100 anos. Nossa história faz a diferença, sem dúvida. Nosso DNA, baseado em inovação, tecnologia, pessoas, processos, qualidade – influencia diretamente nos serviços que oferecemos. O Dona Helena mantém essa tradição, de atender o paciente de modo diferenciado, como uma pessoa única. A humanização está por trás disso tudo.

Quais foram os novos focos que surgiram nestes últimos cinco anos?


Temos uma preocupação muito grande com a fidelização do paciente. Buscamos fortalecer a atuação em algumas especialidades. Isso cria uma identidade entre o paciente e a instituição, acompanhado por investimentos em capacitação, treinamento, eficiência dos processos, valorização das pessoas – o aprendizado que precisamos para proporcionar segurança ao paciente. Iniciamos, também, uma mudança no relacionamento com as operadoras, tomadoras de serviço, no sentido de que sintam que o hospital está junto com elas na solução para uma assistência de qualidade. Trabalhamos muito na prevenção, acompanhando o paciente com o propósito de antecipar a doença. Hoje, temos a Clínica Dona Helena, constituída há uns três anos, na qual fazemos um acompanhamento do paciente de maneira individualizada. Cada vez mais, os hospitais têm que trabalhar na prevenção da doença, não apenas no tratamento.

Se o centenário foi um marco, pode-se dizer que outro inesperado marco, mais recente, foi o transcurso da pandemia, também um momento em que o hospital precisou se repensar, de alguma forma, não?
Sim, e passamos por momentos de insegurança, precisamos adotar algumas medidas para não haver falta de pessoas, insumos, equipamentos. Conseguimos reagir de forma adequada em cada uma dessas etapas, inclusive assumindo uma parte do que isso acarretou, por exemplo, no custo de insumos básicos, como máscaras e luvas. Administrar essas questões exigiu planejamento para atravessar da melhor forma estes 22 meses de pandemia.

Para você, profissionalmente, como é o desafio de comandar uma estrutura destas no momento de pandemia e com a história de 105 anos como pano de fundo?


Um aprendizado constante. Cada dia exige um pensamento diferente porque as coisas vão se modificando com maior velocidade. Esse é um diferencial do hospital. No passado, dizia-se que instituições grandes se sobrepunham às menores. Hoje, a visão é de que as instituições mais ágeis levam vantagem em relação às mais lentas, que demoram para decidir. O hospital conseguiu superar adversidades porque tem velocidade na tomada de decisão.

Falando de pandemia, o hospital já desestruturou seu atendimento específico ao paciente de covid?


A UTI-covid permanece aberta. Tivemos uma redução nos pacientes oriundos da Emergência. Aos poucos, com o avanço da vacinação, a curva da pandemia vai dando sinais de queda, mas ainda existe a necessidade de cuidados e isolamentos. Estamos mantendo essa estrutura, mas prevemos desmobilizá-la em breve.

Espera-se que não, mas, se houver um novo repique da pandemia, o hospital estará pronto para fazer frente?

O Dona Helena tem estrutura preparada para lidar com qualquer tipo de situação: completa e ágil, em termos de leitos, profissionais, capacitação e equipamentos. Houve investimentos importantes para atender ao aumento da demanda, que vão permanecer. A pandemia vai passar, mas os respiradores que compramos, os monitores, a infraestrutura e toda a capacitação realizada pelos funcionários serão uma espécie de legado, entre aspas, que esse período difícil vai deixar.

Você falou sobre a psiquiatria. Que outras áreas serão estruturadas ao longo dos próximos meses?

A unidade de internação psiquiátrica está em fase final de instalação, com a estrutura praticamente pronta. Outro plano é a ampliação do Onco Center, que terá acesso separado e exclusivo. Paralelo a isso, estamos dando andamento a um processo para realizar transplantes de medula óssea, já bastante avançado, mas que exige uma estrutura extremamente complexa. Tivemos autorização tanto no município quanto no Estado, e estamos na expectativa de uma visita para identificar possíveis ajustes que precisaremos fazer na estrutura. Além disso tudo, há uma expectativa pós-pandemia. Devem surgir necessidades que o hospital vem se preparando para atender. Já temos um ambulatório de fisiatria, criado principalmente para pacientes pós-covid. Fizemos um investimento importante na fisioterapia, agora instalada em andar térreo, mais acessível. E, em nosso planejamento, há perspectiva de ampliações, com o possível investimento em clínicas em algumas regiões da cidade, para dar maior capilaridade ao atendimento, aproximando o hospital ainda mais do nosso paciente.



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