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Dona Helena

Precisamos falar sobre transtornos alimentares

Um a cada quatro adultos brasileiros são obesos;  
4 de março é o Dia Mundial da Obesidade

Gislaine Engelmann, nutricionista clínica do Hospital Dona Helena, de Joinville (SC)

A obesidade é classificada como uma doença crônica, ou seja, não tem cura, porém pode ser controlada por meio de mudanças comportamentais e de estilo de vida. Uma doença de causa multifatorial, envolvendo fatores genéticos, metabólicos, hormonais e comportamentais, a obesidade pode ser um fator determinante para o desenvolvimento de transtornos alimentares, como a transtorno de compulsão alimentar, a síndrome do comer noturno e a bulimia nervosa.

Define-se transtornos alimentares como transtornos psiquiátricos que contribuem negativamente para o controle alimentar e, consequentemente, para o controle de peso. O transtorno de compulsão alimentar é o mais frequente em pacientes com obesidade, apresentando índices de 30% a 50%, dependendo do grau de obesidade. O sintoma mais marcante do transtorno de compulsão alimentar é o episódio de compulsão alimentar, que se caracteriza pelo consumo de grande quantidade de calorias em um curto intervalo de tempo. A pessoa tem a sensação de perda de controle do que está comendo e da quantidade. O diagnóstico de transtorno de compulsão alimentar deve ser realizado feito por profissional especializado e o tratamento é multiprofissional, pelo caminho da terapia cognitivo comportamental conduzida por psicólogo e com acompanhamento por nutricionista.

Os demais transtornos alimentares são menos frequentes em pacientes obesos, se comparados ao transtorno de compulsão alimentar, porém é importante citá-los. A síndrome do comer noturno é caracterizada por episódios recorrentes de comer na madrugada ou por alimentação excessiva após o jantar. Já a bulimia nervosa atinge principalmente mulheres e se caracteriza por episódios de compulsão alimentar frequentes, acompanhados de métodos compensatórios inadequados. Além do acompanhamento nutricional e psicológico para diagnóstico e tratamento adequado, sugere-se o acompanhamento médico psiquiátrico para identificar a necessidade de medicamento adequado.

A falta de tratamento adequado para obesidade, além de influenciar no desenvolvimento dos transtornos alimentares, contribui para o surgimento de outras doenças crônicas como diabetes, hipertensão e dislipidemia, assim como temos observado nos estudos, pacientes obesos e desnutridos, devido à baixa qualidade nutricional da alimentação e também pacientes com baixa massa muscular.

O tratamento da obesidade depende de uma equipe especializada composta por nutricionista, psicólogo, médico endocrinologista e médico psiquiatra, para atuarem no controle metabólico e mudança comportamental.

Referência utilizada para desenvolver o texto: e-book “Transtornos alimentares e obesidade” (Abeso).

Diretor Técnico: Dr. Bráulio Barbosa – CRM-SC 3379