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Gente do Dona

Depois da quarentena espontânea, Ana Paula acabou adoecendo

“Cada amanhecer era uma vitória”, emociona-se Ana Paula Marcelino, 40 anos, técnica de enfermagem da UTI há 15, relembrando os 13 dias de quarentena a que se impôs ao ser diagnosticada com Covid-19, em julho do ano passado. Logo no início da pandemia, entre abril e maio, preocupada com o avanço dos casos e o convívio com pacientes graves na UTI, decidiu alugar uma quitinete para se afastar da família pelo período necessário. “Meu marido é hipertenso, um dos meus filhos tem bronquite, e queria fazer o possível para evitar que se contaminassem.” 

Vinicius, 16 anos, e Maria Eduarda, 13, já sabiam que isso poderia ocorrer e, aos poucos, foram se preparando com lições diárias da mãe, aprendendo tarefas básicas como fritar ovo, cozinhar, lavar roupa, limpar o banheiro. E o marido Valcir, técnico de refrigeração, foi parceiro desde o início, segurando as pontas. Mesmo com esses aliados, não foi fácil lidar com o distanciamento da família e os contatos restritos a videochamadas. “Adoro estar sempre rodeada de pessoas, não gosto nem de comer sozinha. Mas foi importante para protegê-los dessa doença.”

A quarentena ajudou   os garotos a amadurecer, mas pouco depois Ana Paula acabou adoecendo. “Tinha muita dor de cabeça, coriza, dor no corpo, sentia a sensação de estar  cheirando cheiro de  queimado”, relata a técnica de enfermagem. A saída, já que havia devolvido a quitinete, foi se isolar em um quarto de casa enquanto durasse a fase de possível contágio. Passava os dias entre filmes, crochê e orações – “a conexão com Deus foi muito importante” –, usando apenas pratos descartáveis nas refeições e recebendo por uma janela tudo o que fosse necessário para o dia a dia. O retorno ao trabalho foi um desafio a mais. “As rotinas da UTI mudaram. Foram e continuam sendo dias incansáveis. Vemos sofrimento, medo, agonia. E temos que transmitir tranquilidade…” A expectativa, agora, é que o marido e os filhos  e amigos  venham a ser vacinados, para a vida voltar ao ritmo normal.

Diretor Técnico: Dr. Bráulio Cesar da Rocha Barbosa - CRM 3379