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Gente do Dona

Números foram ganhando rostos

“Debaixo de máscaras, luvas, touca, sou testemunha ocular de tudo. O coronavírus mudou as rotinas do hospital. Por mais que se tente, é difícil descrever e entender a realidade que estamos passando.” A fonoaudióloga Daniela Roos relata impactos da pandemia no trabalho e na vida pessoal, que se intensificaram na segunda onda, quando acompanhou a internação de muitos conhecidos. “Os números de contaminados foram aumentando exponencialmente e passaram a ter rostos, nomes, histórias“, relembra. 

Logo no princípio, Daniela tomou a decisão de se afastar da mãe, do filho e da nora, que estava para lhe dar uma neta, em maio do ano passado, como também de outros familiares, tudo para diminuir os riscos de contágio, porque vinha trabalhando na linha de frente, atendendo a uma média de dez pacientes de Covid-19 por dia. Pouco depois, devidamente testada e sem sintomas, foi visitar a menina recém-chegada. Em seguida, por precaução, mais quarenta dias de afastamento. No final do ano, em plena noite de Natal, recebeu a notícia de que o filho, a nora e a neta haviam testado positivo. Para encarar esses momentos difíceis, só com o carinho da família e dos amigos: “Todos se mostram sempre presentes para me escutar e me apoiar, recarregando as minhas energias”. A pandemia, segundo ela, promoveu um repensar de vários aspectos da vida, “analisar os pequenos gestos, dar mais valor às pequenas coisas, cuidar mais de si mesma”.

Daniela observa que a fonoaudióloga trabalha para avaliar e reabilitar os pacientes acometidos por sequelas diretas da Covid-19, pela ventilação mecânica invasiva ou que tenham ficado intubados por longo período. Dessa forma, são identificados os casos com maior risco para aspiração, encaminhados para os procedimentos pertinentes, garantindo um retorno mais breve e seguro da alimentação por via oral e a retirada precoce da via alternativa de alimentação. “Muitos apresentam dificuldades de deglutir, têm alterações na voz, ficam com queixas de alteração de olfato e paladar. Com a diminuição da mortalidade dos pacientes críticos aumentou os números de pacientes para a reabilitação”, afirma a fonoaudióloga.

Diretor Técnico: Dr. Bráulio Cesar da Rocha Barbosa - CRM 3379